12 março 2016

Temer vê crise política 'gravíssima' e diz que não é hora de 'acirrar ânimos'

O vice-presidente da República, Michel Temer, mencionou a crise política “gravíssima” e disse que não é hora de “acirrar ânimos” ao discursar neste sábado (12) na convenção nacional do PMDB, em Brasília.
Presidente nacional do partido, Temer deverá ser reconduzido ao posto pelos delegados da convenção.
“Não podemos ignorar que o país enfrenta uma gravíssima crise política e econômica. Mas não podemos deixar – e esta é a tarefa do PMDB – que os graves problemas comprometam os ganhos sociais alcançados nos últimos tempos”, disse Temer.
Para o vice-presidente da República, “não é hora de dividir os brasileiros, de acirrar os ânimos, de levantar muros".
"A hora é de construir pontes e é o que o PMDB está e estará fazendo. Sairemos daqui hoje unidos para resgatar os valores da nossa república e reencontrar a via do crescimento econômico e desenvolvimento social”, afirmou.
Temer citou o quadro de recessão e o aumento do desemprego. Segundo ele, são realidades que devem ser combatidas por uma rede de “políticas de incentivo à iniciativa privada, com estímulo à competitividade”.
A uma plateia formada somente por peemedebistas, entre parlamentares, ministros e dirigentes estaduais, Temer afirmou que o PMDB não pode se “abater nem perder a confiança no futuro”.
“Nosso PMDB sempre teve diversidades internas, mas, como em todas as ocasiões, nós convergimos de que é preciso cuidar do país. Confesso que é isso que tem nos incentivado a pregar a unidade nacional, a harmonia, a independência dos poderes e a aliança entre o capital e o trabalho”, afirmou.
A convenção deste sábado foi convocada para eleger a nova direção do partido, que comandará a legenda pelos próximos dois anos.
Candidato único, Temer chegou ao evento por volta das 11h50 acompanhado dos presidentes do Congresso Nacional e do Senado, senador Renan Calheiros (AL); da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ); além de ministros do partido, como Eduardo Braga (Minas e Energia), Marcelo Castro (Saúde) e Henrique Alves (Turismo).
A primeira parte da convenção foi marcada por discursos críticos ao governo da presidente Dilma Rousseff. Oradores defenderam o rompimento do partido com o Palácio do Planalto, a entrega de cargos na Esplanada e a candidatura própria nas eleições de 2018.
Ao longo do evento, foram apresentadas moções de rompimento com o governo. A direção do partido decidiu que essas moções serão avaliadas em até 30 dias pela nova Comissão Executiva Nacional.

José Sarney
Ao fim do discurso de Temer, o ex-presidente e ex-senador José Sarney foi escolhido presidente de honra do partido, apesar de parte da plateia ter vaiado o nome dele.
Sarney, que discursou depois do vice-presidente, disse que Temer vem exercendo sua função “com moderação, espírito de diálogo, e grande e profundo amor ao Brasil”. O ex-presidente disse ainda que o país vive um momento “difícil”.

Desconforto
Após a fala de Sarney, o deputado federal Carlos Marun (MS), da ala oposicionista do PMDB, disse que havia desconforto em relação à decisão de dar 30 dias para que o diretório decida sobre a saída do governo. Ele questionou, ainda, se ministros peemedebistas deixariam cargos no governo.
“Estamos desconfortáveis. Nós não nos sentimos ainda esclarecidos em relação ao rumo que o PMDB está tomando e o prazo de 30 dias. Queremos saber se – em sendo aceito esse prazo – o PMDB não aceitará ocupar espaço no governo”, afirmou.
Durante o questionamento de Marun, no entanto, Temer e os principais nomes do partido, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), deixaram o palanque do evento.
Quem deu uma resposta ao deputado foi Eliseu Padilha, secretário-executivo do PMDB. “Vamos respeitar a vontade do plenário e esperar os 30 dias”, afirmou.
Michel Temer (centro), próximo a Eduardo Cunha e Renan Calheiros durante convenção PMDB  (Foto: Filipe Matoso)
Fonte: G1

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