02 novembro 2016

Doutor Estranho mostra um novo tipo de herói e agrada crítica

Abra sua mente. É o que propunha o primeiro trailer do filme Doutor Estranho, lançado em abril. O conselho ainda vale para quem se dirigir aos cinemas, a partir do dia 2, para assistir ao novo longa-metragem da Marvel. A trama traz um super-herói diferente daquele com que o público se acostumou. Em vez de força bruta ou tecnologia, o Doutor Estranho usa a espiritualidade e forças cósmicas primordiais para lançar feitiços. Mas esqueça qualquer semelhança com Harry Potter (a não ser que Harry, mais velho, começasse a usar mescalina).
O Doutor Estranho conjura um feitiço. Seu intérprete, Benedict Cumberbatch, dá fôlego para os heróis dos quadrinhos (Foto: Divulgação)

O Doutor Estranho foi criado em 1963 e ganhou força nos anos seguintes, quando a psicodelia, os alucinógenos e o orientalismo influenciavam a arte e o entretenimento. Alguns outros heróis daquela mesma fornada brandiam artefatos com nomes como “joia da alma” e invocavam poderes como “consciência cósmica”. Diante de mistérios e inimigos que desafiam a compreensão, o Doutor Estranho às vezes reage entrando em posição de lótus, saindo em viagem astral e explorando outros planos da existência. “Adolescentes e adultos queriam expandir suas mentes, e o Doutor Estranho falou bem alto àqueles que exploravam outras realidades”, afirma o escritor Steve Englehart, autor de diversas histórias em quadrinhos das editoras DC e Marvel, entre elas algumas do próprio Doutor Estranho.
A jornada de Steven Strange (Benedict Cumberbatch) segue o traçado clássico de muitos heróis da mitologia e da cultura pop – um homem arrogante e poderoso sofre com adversidades, aprende na marra a ser mais humilde e se redescobre, mais forte, mais nobre e com novos propósitos. Bons roteiristas e diretores conseguem recontar essa jornada muitas e muitas vezes de forma sempre surpreendente, e isso ocorre no filme.
Dirigido por Scott Derrickson e produzido por Kevin Feige, ele reprisa nas telas o que se encontra nas páginas dos quadrinhos: uma viagem hipnótica por um caleidoscópio. Combina o estilo de outros longas-metragens imersivos como Matrix e A origem. É o blockbuster mais deslumbrante do ano e conta com elenco arrasador. Cumberbatch, mais conhecido por seu papel na série Sherlock Holmes (e também por participações nas franquias Jornada nas estrelas e O hobbit), é o mais novo queridinho dos fãs da cultura pop. Seu carisma promete derrubar Robert Downey Jr., o Homem de Ferro, de seu lugar cativo nos filmes da Marvel. A camaleoa andrógina Tilda Swintonconvence o mais incrédulo dos espectadores de que o movimento de suas mãos pode conjurar encantos. Os ótimos Chiwetel Ejiofor (12 anos de escravidão) e Benedict Wong (Marco Polo) são coadjuvantes dos sonhos.
Doutor Estranho abrirá precedente para um novo tipo de aventura nos cinemas. “O tipo de poder do super-herói [tecnológico, biológico, mágico etc.] pode servir de filtro pelo qual se examina certas questões culturais e sociais”, afirma a pesquisadora de mídia, cultura pop e super-heróis Katerina Marazi. Mas o filme pode fazer mais que recuperar discussões esotéricas que fizeram sucesso nos anos 1960 e adentraram o século XXI. O público se habituou à dose anual de filmes de super-herói que invadem os cinemas todos os anos. Os apreciadores gostam, particularmente, da fórmula bem-sucedida da Marvel, que mescla cenas nervosas de ação com tiradas sarcásticas. Agora, somem-se a isso efeitos especiais originais de encher os olhos e uma forma descontraída e inteligente de tratar temas como chacras. Podemos, nessa nova mistura, descobrir até um novo jeito de conversar sobre espiritualidade, alma e transcendência, sem balelas. Seria um novo encanto – ou feitiço – nos filmes de aventura.
Resultado de imagem para Doutor Estranho
Fonte: Época.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...